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Como estabelecer uma mentalidade de campeão numa equipa de futebol

No mundo desportivo muitas vezes algumas metas parecem impossíveis ou quase, no entanto essa impossibilidade é apenas uma forma de ver as coisas. No entanto a meta impossível pode tornar-se possível e bem ao alcance das possibilidades da equipa, se forem feitos alguns ajustes técnicos mas também anímicos.

Se por um lado é relativamente fácil identificar quais os ajustes técnicos a fazer, é ainda mais fácil perceber e saber que essa é uma função da equipa técnica, nomeadamente ao treinador. Mas e os ajustes a nível anímico, quem terá essa responsabilidade e a quem compete essa tarefa? Na verdade é também uma tarefa à responsabilidade do treinador, pois é ele enquanto líder da equipa o principal responsável pelo trabalho a desenvolver para o bom estado anímico da equipa enquanto grupo, e de cada um dos jogadores que a integram.

E como é que um treinador que tem que gerir todo o trabalho prático e técnico da equipa consegue arranjar motivação para os seus jogadores e conquistar um título ou competição que seja de especial importância para o clube? Para que este objetivo seja alcançado o treinador deverá ter em atenção o trabalho em três áreas diferenciadas, que se conjugam entre si.

Espírito de equipa comprometida com o clube

Uma equipa é muito mais do que a mera soma das qualidades e capacidades dos seus jogadores, sendo sim o resultado do somatório dessas características individuais acrescido das relações estabelecidas entre os seus integrantes, e o seu espírito de equipa.

O espírito de equipa caracteriza-se por uma relação forte e estável entre os elementos de uma mesma equipa, e em que cada um procura contribuir o melhor que pode para um objetivo que é comum. Para que este espírito seja formado e mantido e se torne cada vez mais forte e coeso, é preciso que exista à vontade e confiança entre todos os jogadores. Só assim é que o grupo será forte aos olhos de todos: sócios, simpatizantes das apostas desportivas, adeptos, comunicação social, entre outros intervenientes no mundo do futebol.

O treinador pode contribuir para a criação do espírito de equipa, incentivando e fomentando a relação entre jogadores fora dos treinos e jogos, assim como o estabelecimento de relações de amizade entre os vários jogadores e as suas famílias. Se os jogadores passarem a encarar-se menos como “apenas colegas” e mais como “amigos” vão certamente empenhar-se mais a incentivarem-se e a colaborarem mais e melhor uns com os outros dentro de campo.

Paralelamente os jogadores individualmente e enquanto equipa devem estar comprometidos emocionalmente com o clube que estão a representar, pois esse compromisso vai permitir que eles encarem os jogos e os objetivos não apenas de uma forma profissional, e fria, mas também como algo do qual fazem parte, e são peças integrantes. Para desenvolver este laço emocional entre os seus jogadores e o clube, o treinador deverá, em colaboração com a parte diretiva, encontrar formas de estreitar os laços e relações entre os jogadores e a sua massa associativa, sugerir e incentivar a participação dos jogadores e suas famílias em outras atividades promovidas pelo clube, de modo a que com o aumento desta participação e envolvimento na vida do clube, os jogadores comecem a sentir-se parte integrante do clube.

Melhoria e trabalho individual com cada jogador

Apesar dos resultados de uma equipa dependerem do funcionamento do conjunto, não se pode esquecer que um bom desempenho individual de cada jogador só irá beneficiar todo o grupo e os seus resultados, assim é importante que também na motivação o treinador não se esqueça do trabalho individual com cada jogador. Neste nível é fundamental que o treinador conheça bem os seus jogadores, de modo a conseguir perceber várias coisas, nomeadamente: que jogadores têm maior facilidade em desmoralizar-se, quem precisa de um acompanhamento mais próximo a nível motivacional, quem poderá servir de influência positiva para motivar os colegas, quem poderá funcionar como um lembrete dentro de campo da importância do trabalho de equipa e daquilo que pretendem alcançar.

Assim o treinador a nível individual deve procurar dar feedbacks positivos não apenas a nível de aspetos técnicos dos jogadores, mas também do seu empenho e do seu envolvimento em atividades do clube ou com outros jogadores. Deve, quando necessário, lembrar a cada jogador da sua importância para o coletivo e que sem ele, dentro ou fora de campo, os resultados nunca seriam os mesmos, e que ele é uma peça importante em toda a dinâmica da equipa.

Os jogadores que poderão funcionar como lembretes e motivadores dos colegas é um ponto também a não descurar uma vez que dentro de campo os jogadores nem sempre conseguem ouvir as indicações do treinador. Assim o treinador deve falar abertamente com os seus jogadores, individualmente, e relembrar-lhes que se em campo um colega aparentar alguma desmotivação ou desalento, também eles têm a responsabilidade de lembrar ao colega que está ao seu lado da sua importância para o conjunto e que deve acreditar, e não desistir.

Definição clara dos objetivos a alcançar

Finalmente a definição clara do objetivo que se quer alcançar, e o motivo pelo qual é tão importante essa concretização. Muitas vezes os objetivos das equipas são decididos pelas direções dos clubes, que posteriormente são passados ao treinador que é quem comunica aos jogadores. E raramente existe uma explicação porque é que um determinado título ou objetivo o é, e muito menos a existência ou não de um motivo especial para isso. E por vezes a ideia que os adeptos têm é que os jogadores não se esforçam ou não se empenham verdadeiramente em atingir um objetivo, que para eles seria tão importante. E isto acontece muitas vezes por falta de conhecimento.
Assim, o treinador no momento de informar aos seus jogadores quais são os objetivos a alcançar deve ter em atenção algumas coisas. É importante que o treinador quando informa o objetivo aos jogadores lhes diga de forma clara qual é o objetivo a alcançar, de que forma pensa desenvolver o trabalho para o alcançar, recolhendo sugestões dos jogadores, e deve explicar a importância que esse título tem para a massa associativa do clube ou para a história do mesmo. Exemplo: no ano em que o clube festeja o 50º aniversário o objetivo definido pela direção seria ganhar o campeonato, e o treinador ao chegar ao balneário em vez de dizer apenas “O objetivo este ano é o campeonato” deveria dizer “Como sabem este ano o clube festeja o seu 50º aniversário. E como tal seria muito importante para todos os associados e simpatizantes, associarem a celebração dos 50 anos a celebração da vitória do campeonato. Para atingir este nosso objetivo eu tenho algumas ideias e gostaria que vocês se tivessem alguma ideia ou sugestão a partilhassem, de modo a que possamos todos juntos alcançar este objetivo.”
Em suma, quando um jogador se sente bem no seio da equipa pela qual joga e se sentir querido pela massa associativa e adepta, e se reconhecer como também ele sendo adepto do clube pelo qual joga, ele vai empenhar-se e dedicar-se com muito mais afinco ao trabalho na equipa e comprometer-se muito mais com os objetivos do clube, e isso irá refletir-se na forma como aborda os objetivos que são definidos pela direção do clube, tomando-os como seus, como se também ele tivesse tomado parte na decisão, e tudo fará ao seu alcance para possibilitar que os objetivos e títulos sejam alcançados, por mais impossíveis que possam parecer. 




Sobre o Autor

Amadeu Calha

No mundo desportivo muitas vezes algumas metas parecem impossíveis ou quase, no entanto essa impossibilidade é apenas uma forma de ver as coisas. No entanto a meta impossível pode tornar-se possível e bem ao alcance das possibilidades da equipa, se forem feitos alguns ajustes técnicos mas também anímicos.


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